2016
-
Sudeste
Detecção precoce da doença renal crônica em idosos

TÍTULO COMPLETO: Detecção precoce da doença renal crônica em idosos

 

INTRODUÇÃO

Em 2010 o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Cuidado e Desenvolvimento Humano realizou alguns estudos sobre a qualidade de vida de idosos atendidos pelo SUS. Como resultado desse estudo verificamos uma fragilidade de ações direcionadas à prevenção e detecção de condições crônicas, como recomenda a Política Nacional do Idoso, que tem como base a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde dos que adoecem e a reabilitação daqueles que venham a ter a sua capacidade funcional restringida. Particularmente, a doença renal crônica ainda é subdiagnosticada, sobretudo em seus estágios iniciais, na maioria das vezes assintomática, e em pessoas idosas.

Este cenário epidemiológico desconhecido traz como consequência perda da oportunidade de preveni-la ou tratá-la quando diagnosticada. Neste sentido, o presente projeto surgiu no intuito de detectar precocemente a doença renal crônica em idosos, a partir da disponibilização de exames laboratoriais gratuitos e atividades educativas junto à comunidade e equipes de saúde das Unidades Básicas de Saúde. Importante ressaltar a participação de alunos de Iniciação Científica que desenvolvem atividades que lhes proporcionam maior aproximação com os sujeitos da pesquisa e a comunidade, a partir de atividades educativas que visam sensibilizar a comunidade da importância de se promover o envelhecimento saudável e ativo, atentando-se não apenas para os aspectos biológicos e psicológicos na assistência a esse segmento populacional, mas também sociais, ambientais e espirituais.

Algumas dessas atividades são destacadas: Feira de Saúde, elaboração jogo lúdico (Jogo das Faces e Jogo do Tabuleiro), folders educativos, livro de orientação nutricional, material didático “Bolsa Inteligente”, painel expositivo “Sal, gordura e açúcar”, distribuição kit “Sal de ervas” e livro de receitas “Sabor com Criatividade: um toque de saúde em sua Vida”. Ainda, tem oportunizado ao aluno durante o trabalho de campo vivenciar a realidade in loco da comunidade, mostrando na prática os distintos tipos de envelhecer, dos arranjos familiares, situações sociais, econômicas e psicológicas diversas que muitas vezes exigiu do aluno distintas habilidades para lidar com a situação, destacando-se, principalmente a habilidade do escutar o idoso. Este trabalho de campo vem se demonstrando como elemento fundamental na transformação do processo ensino-aprendizagem, atuando diretamente como elo entre a Universidade e a comunidade.

Nesse sentido, o projeto vem se destacando enquanto espaço diferenciado para novas experiências voltadas à humanização, ao cuidado e à qualificação da atenção à saúde ao idoso, rompendo com o processo educativo moldado pela transmissão de mensagens unilaterais e hierarquizadas. Mediante o exposto, consideramos ser essa proposta pertinente com as proposições do Pacto pela Saúde e suas Diretrizes Operacionais, uma vez que este projeto coaduna a premissa da necessidade de conhecer e compreender como vem acontecendo o envelhecimento populacional brasileiro, para que assim se possam estabelecer meios para se desenvolver ações adequadas as especificidades apresentadas por este fenômeno.

 

OBJETIVOS

A primeira iniciativa da proposta foi realizar um diagnóstico da real dimensão do problema da DRC na comunidade estudada, com a identificação precoce da disfunção renal em idosos.  Apesar da existência de programas com propostas de educação e controle direcionadas à DRC, a exemplo do que foi apresentado pelo Ministério da Saúde no Caderno de Atenção Básica n. 14 observa-se que a DRC ainda é subdiagnosticada, principalmente na população geriátrica.

Os resultados deste estudo demostram as implicações de ordem social e econômica, ao mostrar os altos índices de subdiagnóstico da DRC em uma amostra da população idosa que deve ser incluída como prioritária nos programas assistenciais de políticas públicas. Entretanto, observam-se falhas no cumprimento da linha-guia das ações direcionadas à identificação de grupos de risco na população idosa, principalmente, no gerenciamento das condições crônicas renocardiovasculares.

Neste sentido, este estudo pode contribuir na ampliação e aprimoramento das ações programáticas de detecção precoce da DRC no contexto da atenção primária, delimitando o diagnóstico situacional da área de abrangência da equipe e investindo na capacitação das equipes de saúde da família. A realização de ações de prevenção já foi iniciada com a participação das pesquisadoras em Feiras de Saúde, tendo como produto a elaboração de materiais didático-pedagógicos, que foram premiados na série Inova Minas promovida pela FAPEMIG. Além disso, constata-se a possibilidade de fortalecimento da incorporação de ações relacionadas ao gerenciamento de condições crônicas na Atenção Primária à Saúde, com foco na promoção à saúde e prevenção primária a partir da identificação precoce de grupos de risco para lesões renais, assim como, para o fortalecimento de ações que possam aumentar autonomia dos usuários e apoiar a família para o cuidado ao idoso em situações que exigem  controle e acompanhamento de fatores de risco para DRC. Também, pode impactar na qualidade de vida da população, visto que ao potencializar ações de atenção ao idoso na lógica de detecção precoce de doença renal crônica e fatores predisponentes, poderá impactar a longo prazo a autonomia do sujeito, a morbimortalidade, e consequentemente, os custos de enfrentá-la.

 

ATIVIDADES 

Identificação dos casos de DRC: Contato inicial por meio de carta-convite deixada no domicílio, visitas domiciliares em setores censitários sorteados aleatoriamente (até o momento foram visitados 152 setores censitários, com um total de 739 domicílios abordados). Aplicação de um questionário para avaliar os aspectos sociodemográficos, história clínica e hábitos comportamentais, bem como, obtidas medidas antropométricas e clínicas. Dosagem de material biológico (sangue e urina) coletados no domicílio pelos pesquisadores. Diagnóstico médico da DRC feito por um dos pesquisadores. Entrega dos resultados impressos para os participantes no domicílio e feito as orientações conforme resultado dos exames.  A abordagem do idoso no contexto do seu domicílio tem possibilitado avaliar as reais condições de vida desse idoso e as necessidades de cuidado, como por exemplo, presença de cenário de pobreza, violência doméstica, abandono familiar, déficit do autocuidado e fragilidade. Para cada idoso que aceitou participar da pesquisa era visitado 3 vezes ou mais, e está previsto para o próximo mês iniciarmos ao atendimento médico nefrologista (coautor desta pesquisa), vendo a carência e necessidade dos idosos por um atendimento especializado na área da nefrologia.

 

Articulação intrasetoriais:  reunião com os gestores em saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e do Distrito Sanitário Noroeste a fim de discutir possíveis intervenções para encaminhamentos daqueles idosos diagnosticados com DRC em estágios mais avançados, requerendo consulta com a especialidade nefrológica. Autorização para educação continuada com as equipes de saúde da família no contexto da atenção primária.

 

Feiras de Saúde: elaboração de materiais educativos-pedagógicos destinados à comunidade e profissionais de saúde.

Educação continuada: treinamento das equipes de saúde da Atenção Básica, repasse dos exames laboratoriais.

Formação: inclusão do conteúdo em disciplinas de atenção à saúde do idoso.

 

EQUIPE

Enfermeiro: 05

Médico: 01

Nutricionista: 01

Bolsistas de Iniciação Científica Enfermagem: 06

Alunos da graduação nutrição: 03

 

EQUIPAMENTOS E RECURSOS

>>Exames laboratoriais (preço unitário por pacote de exames: R$ 251,69 homem e R$236,83 mulher). Total (até o momento): R$ 48.832,17

>> Materiais permanentes (estadiômetro, balança digital portátil, esfigmonamômetro e estetoscópio): R$ 5.200,00

>> Materiais kit punção venosa: R$ 3.150,00

>> Materiais feira de saúde (jogos educativos, folders, kit sal de ervas, painel nutricional): R$ 1.078,23

 

FAPEMIG (Demanda Universal 2011 APQ-00108-11): R$ 39.158,91 (finalizado)

FAPEMIG (Demanda Universal 2014 APQ-02212-14): R$ 38.680,44 (em andamento)

FAPEMIG (PPSUS 2013 APQ 03556-13): R$ 62.845,86 (aguardando depósito financeiro)

Recurso próprio: R$ 19.582,23

 

RESULTADOS

A primeira questão evidenciada foi em relação ao próprio idoso e seus familiares ao reconhecer a importância do autocuidado para sua autonomia e funcionalidade.  A sensibilização do idoso e de familiares proporcionou descobertas sobre novas formas de ver a saúde e dar valor à saúde com um bem essencial para preservação da longevidade. Destacamos ainda a identificação de um elevado número de casos de DRC (35,09%) em idosos e baixa consciência (9,1%) entre os idosos identificados como tendo DRC. Esse percentual aumenta com a gravidade da doença, podendo inferir que é necessário ADOECER para que DRC seja DETECTADA pelos provedores do cuidado. A partir desses dados alarmantes, o projeto forneceu subsídios para incorporação de ações de promoção à saúde e prevenção primária a partir da identificação de fatores de risco para a DRC, e secundária, a partir da detecção precoce da lesão renal junto às equipes de saúde da Atenção Básica. Os gestores de saúde local estão mobilizando e conscientizando as equipes de saúde na necessidade de atuarem de forma efetiva na prestação de cuidados à população, atentando-se para o rastreamento precoce da DRC na comunidade e busca ativa dos idosos que se encontram em estágios mais avançados da DRC identificados pelo projeto para possíveis encaminhamentos à nefrologia. Também, ressalta-se que a partir dos dados preliminares, constatou-se baixa consciência da DRC, o que levou os pesquisadores a criar um projeto de extensão “Projeto DRC: de portas abertas para Srª Saúde entrar”, com elaboração de materiais lúdicos pedagógicos e interativos destinados à conscientização tanto da comunidade quanto dos profissionais de saúde.

Ficha técnica


Município: 
Belo Horizonte

Instituição Responsável: 
Escola de Enfermagem / UFMG

Parceiros: 
Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, FAPEMIG, CAPES

Coordenador da experiência: 
Sônia Maria Soares

Email da coordenação: 

Telefone institucional: 
(031) 3409-9827

Beneficiados: 
idosos, familiares e cuidadores dos idosos, equipe de saúde da área de abrangência do Distrito Sanitário Noroeste, gestores de saúde local e alunos bolsistas de iniciação científica do curso de graduação de enfermagem


Categoria da experiência: 
Prevenção de doenças e agravos em pessoas idosas (quedas, violência, suicídio, doenças crônicas não transmissíveis, uso abusivo de álcool, tabaco e outras drogas; acidentes de trânsito, saúde sexual e prevenção à ISTs/HIV-Aids e hepatites virais, etc.)

Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa/DAPES/SAS/MS
Telefone: (61) 3315-6226
idoso@saude.gov.br