2016
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Sudeste
Alfabetização para idosos: ferramenta na construção do processo de saúde

A alfabetização no IPGG-JEM não busca somente ensinar a "ler e a escrever”, mas criar possibilidades para que o indivíduo ou o grupo possa exercer a leitura e a escrita de maneira a se inserir de modo mais pleno e participativo na sociedade. A falta de domínio do uso da leitura e da escrita é um entrave na aquisição e no desenvolvimento de habilidades. Os idosos sentem-se envergonhados em admitir o próprio analfabetismo, o que inibe sua participação em outros cursos educacionais. Desta forma, o Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia "José Ermírio de Moraes" por ser um equipamento de saúde voltado ao atendimento exclusivo à pessoa idosa, favoreceu ao idoso a identificação com seus pares e facilitou a participação destes idosos no curso de alfabetização, ao se sentirem acolhidos pela instituição, um espaço legitimado e reconhecido para o idoso. As atividades começaram em 2002, com um grande número de idosos que precisavam ser alfabetizados. São usados painel de sílabas e vogais, alfabeto, uso de palavras que pertencem ao cotidiano do idoso para aprender novas palavras, ressaltando o valor da educação informal, de suas vivências, como repertório para a educação formal. Aos poucos, houve ampliação dos assuntos e disciplinas, como conhecimentos matemáticos, interpretação de problemas, simulando situações cotidianas que envolvem finanças, trocas monetárias. Atualmente há turmas para alfabetização, mas também turmas correspondentes aos 2os. e 3os. anos do Ensino Fundamental I. Durante as aulas de alfabetização, os idosos melhoraram sua coordenação motora fina, diante do treino contínuo da escrita. Mesmo aqueles que nunca tinham usado um lápis, obtiveram progressos rápidos, aprimorando a grafia das palavras. Os idosos são constantemente estimulados a desenvolverem leitura, a partir de palavras que pertencem ao seu vocabulário cotidiano. Hoje, os idosos já conhecem os ônibus pelo nome e não pela cor, reconhecem os letreiros, reduzindo a dependência para realizar atividades relacionadas ao autocuidado e também aquelas sociais e de lazer. Esta sensação de empoderamento contribuiu muito na melhora da autoestima, da autoimagem e para a valorização do idoso como protagonista do seu processo de envelhecimento. As famílias foram incluídas neste processo, sendo incentivadas a se aproximarem dos idosos, a compreenderem o processo de envelhecimento e a valorizar a iniciativa de aprendizado, com elogios, vista dos cadernos e atividades produzidos nas aulas, bem como a participação e o envolvimento das famílias nas festividades e na formatura. (confecção enfeites, materiais etc). A alfabetização também proporcionou a inserção dos idosos nos diálogos, estimulando a conversação em família, melhorando assim o relacionamento familiar, a partir de valores como a tolerância, a paciência, o respeito e a admiração das diferentes gerações.

Ficha técnica


Município: 
São Paulo

Instituição Responsável: 
Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia "José Ermírio de Moraes"


Coordenador da experiência: 
Nilton Guedes

Email da coordenação: 

Telefone institucional: 
11 20304052

Beneficiados: 
população idosa


Categoria da experiência: 
Promoção da saúde da pessoa idosa (práticas corporais e atividades físicas, alimentação e nutrição, experiências inovadoras de educação em saúde etc.)

Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa/DAPES/SAS/MS
Telefone: (61) 3315-6226
idoso@saude.gov.br